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Preparação para prova: o guia completo

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Preparar-se para uma prova vai muito além de acumular quilômetros. Isso inclui preparação física, resiliência mental, alimentação adequada, recuperação e um bom planejamento para o dia da prova.1 Estar pronto para competir começa muito antes da linha de largada.

Seja para sua primeira prova de 5 km, meia maratona ou maratona, investir em uma boa preparação pode fazer a diferença entre completar a prova aos trancos e barrancos ou dar o seu melhor.

Muitos corredores se concentram apenas no volume de treino, mas a ciência mostra que o desempenho depende de vários fatores.

Treinar em excesso sem dar ao corpo o tempo necessário para se recuperar, seja após uma prova ou durante um ciclo de treino, pode aumentar o risco de lesões. Da mesma forma, uma alimentação inadequada ou a falta de preparo mental podem limitar o desempenho, mesmo com um bom condicionamento físico.

Preparar-se para uma prova significa trabalhar corpo e mente para enfrentar os desafios da competição, aproveitando ao máximo a experiência e chegando ao fim com confiança.

O que significa estar em condições de competir

Preparação física

A preparação física é a base para um bom desempenho nas provas. Ela envolve desenvolver resistência, melhorar o condicionamento cardiovascular, fortalecer músculos e tecidos conjuntivos e preparar o corpo para lidar com as exigências do dia da prova.

Um dos aspectos mais importantes da preparação física é seguir um ciclo de treino estruturado. A maioria dos planos de treino para provas aumenta gradualmente a carga ao longo do tempo e reduz o volume nas semanas que antecedem a prova. Esse período, conhecido como taper, consiste em uma redução planejada da carga de treino nos dias ou semanas anteriores à competição.2

Planos de treino eficazes incluem variedade de estímulos, em vez de manter sempre o mesmo ritmo de corrida. Treinos longos, ou longão, desenvolvem a resistência aeróbica e ensinam o corpo a utilizar energia de forma mais eficiente. Treinos leves, como corridas em Zona 2, favorecem a recuperação e, ao mesmo tempo, ajudam a manter a quilometragem semanal.

Treinos em ritmo moderado a forte (tempo runs) contribuem para aumentar o limiar de lactato, permitindo sustentar esforços mais intensos por mais tempo e com melhor controle da frequência cardíaca. Já os treinos de velocidade, como tiros (sprints) e intervalados, melhoram a economia de corrida e a capacidade cardiovascular.

Quem corre também se beneficia de atividades que vão além da corrida. Em especial, atividades de treino cruzado, como ciclismo, natação, remo ou trilhas, podem melhorar o condicionamento aeróbico e reduzir o estresse causado pelo impacto repetitivo.3

Preparo mental para o dia da prova

O preparo mental costuma ser deixado em segundo plano, mas exerce um papel fundamental no desempenho em provas. O dia da prova pode trazer ansiedade, desconforto, incertezas e desafios inesperados.

Estar mentalmente preparado ajuda atletas de resistência a manter a calma, o foco e a capacidade de adaptação diante da pressão.

Uma estratégia bastante utilizada na psicologia do esporte é o diálogo interno positivo, que pode melhorar o desempenho em provas de resistência ao reduzir a percepção de esforço durante o exercício4. Frases simples, como “mantenha a calma”, “consistência e leveza” ou “eu consigo”, podem ajudar a manter o foco nos momentos mais difíceis da prova.

Definir metas é outra ferramenta importante. Em vez de ter apenas uma meta de resultado, muitos treinadores recomendam estabelecer metas A, B e C.

  • Meta A: seu resultado ideal, como alcançar o seu melhor tempo pessoal.
  • Meta B: um desempenho forte que ainda seja percebido como um sucesso.
  • Meta C: simplesmente completar a prova com saúde e orgulho.

A visualização também pode aumentar a confiança. Ensaiar mentalmente o percurso, os postos de hidratação, a estratégia de ritmo e os momentos mais difíceis pode ajudar a reduzir a ansiedade e aumentar a sensação de preparo.

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Nutrição

Uma alimentação adequada contribui tanto para os treinos quanto para o desempenho no dia da prova. Mesmo o melhor programa de treino pode ser prejudicado por uma estratégia nutricional inadequada.

A alimentação diária deve priorizar a ingestão suficiente de calorias, carboidratos, proteínas, gorduras saudáveis e líquidos para favorecer a recuperação e o desempenho. Os carboidratos são especialmente importantes, pois fornecem a principal fonte de energia para exercícios de resistência.

A carga de carboidratos (carb-loading) é uma estratégia frequentemente utilizada antes de provas mais longas, como meias-maratonas e maratonas. Ela consiste em aumentar a ingestão de carboidratos nos dias que antecedem a prova para maximizar os estoques de glicogênio muscular, a principal reserva de energia utilizada durante o exercício.

As refeições antes da prova devem ser compostas por alimentos aos quais o atleta já esteja acostumado, de fácil digestão e ricos em carboidratos, com quantidades moderadas de proteínas e baixo teor de gorduras e fibras. Muitos corredores fazem uma refeição entre duas e quatro horas antes da largada, dependendo de preferências pessoais e da tolerância digestiva.

A estratégia de alimentação durante a prova também é importante, especialmente em corridas com duração superior a 75 a 90 minutos. Géis energéticos, bebidas esportivas, gomas mastigáveis ou outras fontes de carboidratos ajudam a manter os níveis de glicose no sangue e a retardar a fadiga.

A hidratação é igualmente importante. A desidratação pode prejudicar o desempenho em exercícios de resistência, mas o excesso de hidratação também pode causar problemas.

Os eletrólitos, especialmente o sódio, ajudam a regular o equilíbrio de líquidos no organismo e a função muscular durante exercícios prolongados, principalmente em condições de calor ou para atletas que transpiram muito.

Recuperação

A recuperação é um dos aspectos mais subestimados da preparação para corrida. Os ganhos de condicionamento acontecem durante o processo de recuperação, quando o corpo se repara e se adapta ao estresse provocado pelos treinos.

O sono é uma das ferramentas de recuperação mais poderosas disponíveis. Dormir mal pode afetar negativamente a recuperação, a regulação hormonal, o tempo de reação, o humor e o desempenho esportivo.

Por isso, corredores que estão se preparando para uma prova devem priorizar hábitos de sono consistentes nas semanas que antecedem a competição.

Trabalhos de mobilidade e recuperação ativa também podem favorecer a recuperação, melhorando a circulação, reduzindo a rigidez muscular e ajudando a manter padrões de movimento saudáveis.

Caminhadas leves, ciclismo em baixa intensidade, alongamentos e exercícios com rolo de espuma podem auxiliar a recuperação sem adicionar uma carga excessiva de treino.

Ignorar a recuperação costuma levar ao excesso de fadiga, à queda de desempenho e ao aumento do risco de lesões.

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Como lidar com o nervosismo antes da prova ou com “taper crazies” (ansiedade do período de redução dos treinos)

Confiar no processo de treino é fundamental. O condicionamento físico é construído ao longo de meses de treinos consistentes, e não nos últimos treinos antes da prova.

Para lidar com o nervosismo no dia da corrida:

  • Concentre-se nos fatores que você pode controlar.
  • Mantenha rotinas com as quais já está familiarizado.
  • Evite ficar obcecado com previsões de ritmo ou comparações nas redes sociais.
  • Use exercícios de respiração ou técnicas de visualização para manter a calma.
  • Lembre-se de que sentir nervosismo é normal e, muitas vezes, é um reflexo da empolgação e de que você está preparado para a prova.

5 dicas de especialista para o dia da corrida

  1. Tenha metas bem definidas: anote seu plano de ritmo (pacing) ou seus objetivos em algum lugar visível, se achar necessário. Alguns corredores chegam até a escrever lembretes no braço para se manter focados durante a prova.
  2. Aquecimento: um aquecimento adequado prepara os músculos, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso para o desempenho. Mesmo provas mais curtas se beneficiam de um aquecimento gradual, com duração de 15 a 30 minutos.
  3. Comece devagar: um dos erros mais comuns nas corridas é largar rápido demais. Manter um ritmo controlado no início costuma resultar em uma finalização mais forte, quando o corpo ainda está se sentindo bem.
  4. Mantenha o ritmo planejado: confie no seu treino e na sua estratégia de ritmo, em vez de se deixar levar pela empolgação das pessoas ao seu redor.
  5. Divirta-se e termine com orgulho: correr uma prova deve ser desafiador, mas também gratificante. Independentemente do resultado, cruzar a linha de chegada é a recompensa por todo o esforço, a consistência e o comprometimento que você demonstrou ao longo da preparação.
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Depois da prova: e agora?

Provas desafiadoras impõem um estresse significativo aos músculos, às articulações, ao sistema imunológico e ao sistema nervoso. Tirar alguns dias de descanso para a recuperação pós-prova permite que o corpo se repare e se recupere antes de retomar um plano estruturado de corrida.

Movimentos leves, caminhadas, alongamentos ou trabalho de mobilidade podem ajudar a melhorar a circulação e reduzir a rigidez muscular. Repor carboidratos, proteínas, líquidos e eletrólitos também é importante para favorecer a recuperação muscular e restaurar os estoques de glicogênio.

Quando estiver recuperado, reserve um tempo para refletir: o que deu certo? Quais desafios você enfrentou? O que faria de diferente da próxima vez? Use essas lições para definir o seu próximo objetivo.

Estar preparado para uma prova vai muito além de simplesmente completar os treinos. Significa preparar o corpo e a mente por meio de um treino inteligente, uma estratégia nutricional adequada, uma recuperação eficiente e um plano claro para o dia da corrida.

O objetivo não é a perfeição. É a preparação.

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Fontes

[1] American College of Sports Medicine. (2021). ACSM’s guidelines for exercise testing and prescription (11th ed.). Wolters Kluwer.

[2] Bosquet, L., Montpetit, J., Arvisais, D., & Mujika, I. (2007). Effects of tapering on performance: A meta-analysis. Medicine & Science in Sports & Exercise, 39(8), 1358–1365.cross-training,

[3] Blagrove, R. C., Howatson, G., & Hayes, P. R. (2018). Effects of strength training on the physiological determinants of middle- and long-distance running performance. Sports Medicine, 48(5), 1117–1149.

[4] Hatzigeorgiadis, A., Zourbanos, N., Galanis, E., & Theodorakis, Y. (2011). Self-talk and sports performance: A meta-analysis. Perspectives on Psychological Science, 6(4), 348–356.

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